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Ter filhos e constituir uma família são questões primordiais para os casais, acredita-se que essa construção pode significar um desenvolvimento para o casal e um crescimento contínuo, como um papel social a se exercer. Ao passo que essa família vai se constituindo, o casal se vê diante de muitas responsabilidades e obrigações a cumprir, dentre elas, o sustento material.

Devido ao grande empenho ao trabalho e à vida pessoal, além da alta exigência aos próprios pais quanto à educação de seus filhos, falta disposição para acompanharem e cuidarem de suas crianças. Com a pressão da vida moderna de que os pequenos se preparem cada vez mais cedo e melhor para o futuro profissional, os pais decidem por outras maneiras de garantir que seus filhos sejam assistidos e bem cuidados – por meio de uma terceirização do cuidado.

Atualmente o conceito sobre a criança é de um ser desobediente e muito esperto, que tem atividades durante todo o dia além da escola, ou passam um longo período por lá, tendo pouco tempo livre dentro de casa. Nessa geração, é priorizado o que possa favorecer a individualidade e o desenvolvimento neuromotor.

Nesse movimento a procura pela psicoterapia infantil tem sido uma forma recorrente de pedido de auxilio dos pais, pois essa busca representa uma forma de assegurar o bem-estar e o desenvolvimento dos pequenos perante as mais diversas dificuldades, já que uma grande preocupação dos pais é o baixo desempenho nas atividades e responsabilidades diárias e assim não saberem lidar com seus “problemas”.

O trabalho terapêutico é mais efetivo e estável com a participação e contribuição ativa dos pais envolvidos no atendimento da criança, pois considera-se o ambiente familiar de extrema importância para o desenvolvimento emocional infantil. Esse ambiente deve ser representado por responsáveis que assumam para si as funções maternas e paternas, oferecendo à criança o cuidado e a proteção para o desenvolvimento de sua identidade, personalidade e ação no mundo.

Essa participação dos pais no processo terapêutico, não coloca a atribuição de responsabilidades apenas ao terapeuta, pois orientar os pais a conseguirem auxiliar seu filho também os ajuda a respeito de si mesmos. Em contrapartida, procurar por atendimento psicológico para os filhos pode também despertar sentimentos de culpa e sensação de fracasso dos responsáveis.

É comum que os pais olhem e amem seus filhos por serem estes a imagem de sua própria felicidade e, assim, eles buscam se aproximar como amigos, desejando às crianças que realizem e cumpram suas expectativas. E assim apresentam dificuldade em colocar sua autoridade, pois esta é vista como sinônimo de severidade, não compreendendo que estabelecer limites faz parte do amar e educar, e cabe aos pais desempenhar este papel, o de apresentador do mundo.

Quando a criança apresenta um sintoma emocional e/ou comportamental, pode ser resultado da relação com a família, suas dificuldades e conflitos. A grande pressão que os pais carregam de serem perfeitos e oferecerem o máximo possível para seus filhos tanto os aproximam quanto os distanciam do contato com a criança. Assumir que o filho não é o único culpado pelos sintomas e queixas apresentadas pelos pais é considerar a possibilidade de que o ambiente familiar não tenha sido tão bom quanto deveria, correspondente ao desejo dos pais de que seus filhos sejam bem-sucedidos socialmente.

Cada criança tem representações diferentes para os pais, que estão relacionadas com suas fantasias inconscientes e conscientes, criadas desde o momento da sua concepção, da gravidez, do nascimento e depois dele. Toda essa relação define, portanto, a maneira como os pais lidarão com os problemas e conflitos que surgirem. A criança pode ou não atender às expectativas dos pais, precisando lidar com elas na medida em que começa a ser reconhecida como diferente dos pais e daquilo que idealizaram. Para os adultos, por sua vez, um alívio pode ser usufruído ao perceber que seu filho pode ser diferente e autônomo, sendo capaz de lidar com as situações que lhe são apresentadas, o que permite aos pais abandonarem suas ideias relacionadas ao sentimento de culpa e fracasso.

Para que os pais possam oferecer apoio para o desenvolvimento infantil, é necessário que eles estejam atentos à qualidade dos vínculos familiares, sem que haja a necessidade de alcançar a perfeição, e sim algo particular, de família para família, que faça sentido para as pessoas envolvidas. Atender as expectativas de viver intensamente a vida pessoal, profissional e conjugal, inclusive na relação com os filhos, causa uma sensação de desgaste aos genitores. Os pais precisam estar presentes de forma suficientemente boa, o que significa atender o que for necessário aos filhos, mas também deixar que suas próprias falhas sejam sentidas não como uma incapacidade, mas sim como parte do que é humano, para que seus filhos também possam errar sem medo, agir espontaneamente no mundo e alcançar sua própria identidade.

 

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