{"id":901,"date":"2019-02-05T14:00:16","date_gmt":"2019-02-05T16:00:16","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocamila.wordpress.com\/?p=901"},"modified":"2020-11-05T18:07:08","modified_gmt":"2020-11-05T21:07:08","slug":"o-que-acontece-quando-voce-abraca-suas-emocoes-desagradaveis","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/?p=901","title":{"rendered":"O QUE ACONTECE QUANDO VOC\u00ca ABRA\u00c7A SUAS EMO\u00c7\u00d5ES DESAGRAD\u00c1VEIS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">A <a href=\"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/\">Psic\u00f3loga<\/a> Beth Kurland, autora do livro <em>Dancing on the Tightrope: Transcending the Habits of Your Mind &amp; Awakening to Your Fullest Life<sup>*<\/sup><\/em>(sem tradu\u00e7\u00e3o para o portugu\u00eas) relata que quando tinha 15 anos, a m\u00e3e morreu em um acidente de carro. N\u00e3o sabendo como lidar com a enormidade da perda e dor, se jogou na li\u00e7\u00e3o de casa e nas atividades, nunca perdendo um dia de escola e tentando controlar tudo em sua vida.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Essa estrat\u00e9gia teve sucesso em alguns aspectos \u2013 conseguiu boas notas, por exemplo. Mas o custo interno de afastar a tristeza apareceu de outras maneiras. Ficou ansiosa em torno de coisas que n\u00e3o conseguia controlar, como mudan\u00e7as inesperadas de planos e ferimentos leves.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00c0 medida que envelhecia, come\u00e7ou nutrir preocupa\u00e7\u00f5es irracionais, como medo de expor seu beb\u00ea no \u00fatero a gases t\u00f3xicos ao passar por um cheiro estranho. Foi assim at\u00e9 o nascimento do seu primeiro filho, quando procurou a ajuda de um psic\u00f3logo e p\u00f4de lamentar completamente a perda da m\u00e3e e sentir todas as emo\u00e7\u00f5es que passo tantos anos tentando afastar.<\/p>\n<p>O desejo de evitar o que \u00e9 desagrad\u00e1vel (e buscar o que \u00e9 agrad\u00e1vel) faz parte da natureza humana. Mas evitando emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis, em vez de aceit\u00e1-las, apenas aumenta nosso sofrimento psicol\u00f3gico, inflexibilidade, <a href=\"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/?p=2331\">ansiedade<\/a> e depress\u00e3o, diminuindo nosso bem-estar.<\/p>\n<p>Quando nos voltamos para os nossos desejos, podemos ficar inclinados a se envolver em comportamentos aditivos (compuls\u00e3o ou obsess\u00e3o) face a um objeto, subst\u00e2ncia ou atividade; quando nos voltamos para a nossa dor f\u00edsica, estamos menos propensos a ficar presos em ciclos de dor cr\u00f4nica; quando nos voltamos para nossa tristeza, \u00e9 menos prov\u00e1vel ficarmos presos na depress\u00e3o, e quando nos voltamos para a nossa ansiedade, estamos menos propensos a ficar paralisados por ela e podemos achar um meio mais f\u00e1cil de suportar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Aprender a abra\u00e7ar as emo\u00e7\u00f5es desagrad\u00e1veis traz, n\u00e3o apenas uma redu\u00e7\u00e3o significativa da ansiedade, mas uma maior capacidade de experimentar as alegrias da vida mais plenamente e uma crescente confian\u00e7a em nossa capacidade de lidar com os desafios da vida. Se quisermos viver mais plenamente e sermos os nossos \u201c<em>eus<\/em>\u201d mais aut\u00eanticos, precisamos nos voltar para nossa dor, n\u00e3o tentar suprimi-la.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0Mas o que pode nos ajudar a chegar l\u00e1? A ajuda de um psic\u00f3logo! Profissionais capacitados com t\u00e9cnicas que te ajudam a reconhecer, nomear e enfrentar essas emo\u00e7\u00f5es. Existe um conjunto de ferramentas com essa finalidade. Entre elas o mindfulness (aten\u00e7\u00e3o plena), autocompaix\u00e3o e aceita\u00e7\u00e3o, que a autora chama de \u201c<em>a porta<\/em>\u201d, \u00e9 um exemplo dessas t\u00e9cnicas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para fazer essa pr\u00e1tica, certifique-se de come\u00e7ar com emo\u00e7\u00f5es que n\u00e3o sejam muito intensas. A maneira mais efetiva \u00e9 trabalhar com um terapeuta qualificado, especialmente para emo\u00e7\u00f5es mais intensas. Veja a seguir o que \u201c<em>a porta<\/em>\u201d envolve.<\/p>\n<p>Passo 1: Desenvolva a vontade de abrir a porta<\/p>\n<p>&#8211; Imagine que voc\u00ea est\u00e1 abrindo uma porta e dando boas-vindas as suas emo\u00e7\u00f5es e convide-a para vir e se sentar em algum lugar da sala. Voc\u00ea pode imaginar este assento t\u00e3o perto ou t\u00e3o longe de voc\u00ea quanto quiser. Dessa perspectiva, voc\u00ea pode dar uma olhada suave e curiosa no que est\u00e1 ali.<\/p>\n<p>Muitas vezes as pessoas imaginam suas emo\u00e7\u00f5es como tendo algum tipo de cor ou forma. \u00c0s vezes visualizam suas emo\u00e7\u00f5es como personagens de desenho animado ou como partes mais jovens de si mesmos. Parte da pr\u00e1tica \u00e9 simplesmente aceitar o que quer que seja.<\/p>\n<p>Esta \u00e9 uma experi\u00eancia nova para a maioria das pessoas. Quem <em>quer<\/em>deixar a ansiedade passar pela porta? Quem <em>quer<\/em>acolher a tristeza ou a raiva? Mas quando deixamos entrar o que quer seja e o vemos de longe, podemos dar uma olhada curiosa e explorar o que est\u00e1 l\u00e1.<\/p>\n<p>Passo 2: Dar uma olhada curiosa em qualquer coisa que passe pela porta.<\/p>\n<p>&#8211; Observar atentamente o que estamos sentindo pode nos ajudar a lidar com o que est\u00e1 diante de n\u00f3s. Pode ser \u00fatil nomear nossos sentimentos (<em>Ah, isso \u00e9 doer; isso \u00e9 ci\u00fame; isso \u00e9 raiva<\/em>) porque, por mais simples que isso soe, muitas vezes n\u00e3o prestamos aten\u00e7\u00e3o \u00e0s nuances do que estamos sentindo. Consequentemente, informa\u00e7\u00f5es importantes se perdem ao longo caminho. Rotular nossas emo\u00e7\u00f5es aflitivas nos d\u00e1 uma maneira de validar nossa experi\u00eancia interior, o que nos proporciona o benef\u00edcio adicional de reduzir sua intensidade.<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m pode ser ben\u00e9fico ver nossos \u201cvisitantes\u201d emocionais como convidados tempor\u00e1rios. Adicionando a frase \u201c<em>neste momento<\/em>\u201d a uma declara\u00e7\u00e3o como \u201c<em>estou sentindo estresse, raiva ou m\u00e1goa<\/em>\u201d pode nos ajudar a estar com o que est\u00e1 l\u00e1 sem se sentir sobrecarregado. De outras coisas que voc\u00ea poderia dizer \u00e0 Voc\u00ea mesmo inclui:<\/p>\n<ul>\n<li><em>Posso me permitir perceber como isso est\u00e1 aparecendo no meu corpo e nos meus pensamentos?<\/em><\/li>\n<li><em>Se esse sentimento ou parte de mim pudesse falar, o poderia me dizer?<\/em><\/li>\n<li><em>O que pode querer ou precisar?<\/em><\/li>\n<\/ul>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Ser curioso, em vez de temerosos ou rejeitar, fornece uma lente melhor para entender seus sentimentos.<\/p>\n<p>Passo 3: D\u00ea a si mesmo o dom da compaix\u00e3o.<\/p>\n<p>&#8211; Al\u00e9m de afastar sentimentos desconfort\u00e1veis, muitos de n\u00f3s foram condicionados a julgar emo\u00e7\u00f5es de maneiras negativas. Aprendemos que, se mostramos tristeza, \u00e9 sinal de fraqueza. Que somos uma pessoa m\u00e1, se sentimos raiva ou ci\u00fame. Que devemos \u201cseguir em frente\u201d quando experimentamos a perda. Quando nos deparamos com emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, muitas vezes dizemos a n\u00f3s mesmo para parar de sermos bobos ou que h\u00e1 algo errado conosco.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando praticamos <em>mindfulness<\/em>(aten\u00e7\u00e3o plena) em combina\u00e7\u00e3o com auto bondade e um reconhecimento de nossa humanidade comum (o fato que todos n\u00f3s sofremos como seres humanos), n\u00f3s cultivamos autocompaix\u00e3o, uma qualidade que tem sido ligada ao bem-estar psicol\u00f3gico.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para praticar a autocompaix\u00e3o, imagine sentado com um bom amigo, que est\u00e1 sofrendo e pense em como voc\u00ea pode estender um gesto de compaix\u00e3o. Como seria sua linguagem corporal? Como voc\u00ea o ouviria? Que sensa\u00e7\u00f5es sentiria ao redor do seu cora\u00e7\u00e3o?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Agora imagine essa pessoa estendo a compaix\u00e3o para voc\u00ea. O que ele poderia dizer ou fazer? Que palavras voc\u00ea acharia reconfortante ou calmantes?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 Entre as possibilidades, poderia dizer: <em>\u201cisso parece muito dif\u00edcil; estou aqui por voc\u00ea\u201d<\/em>. Ou talvez poderia simplesmente estender a m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando podemos aprender a nos sentar conscientemente com nossas pr\u00f3prias emo\u00e7\u00f5es e trazer compaix\u00e3o a tudo o que estamos vivenciando, \u00e9 como se nos torn\u00e1ssemos esse amigo atencioso, sentados conosco mesmo. Aprender a estar l\u00e1 por n\u00f3s mesmos, atrav\u00e9s dos momentos positivos e dolorosos, pode ser tremendamente curativo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Enquanto abra\u00e7ar nossas emo\u00e7\u00f5es sombrias e desagrad\u00e1veis requer coragem e pr\u00e1tica, usar a t\u00e9cnica da porta nos permite abrir um presente. Cada vez que praticamos estar com nossas emo\u00e7\u00f5es dif\u00edceis, desenvolvemos recursos internos, aprendemos a confiar em nossa capacidade de lidar nossas experi\u00eancias, desenvolver resili\u00eancia para superar os desafios da vida e encontrar maneiras de buscar o que realmente importa. Cada um de n\u00f3s tem o poder de enfrentar o que \u00e9 dif\u00edcil, se apenas abrirmos a porta.<\/p>\n<h5 style=\"text-align: left;\"><em>*Texto baseado em entrevista: KURLAND, BETH. Dancing on the Tightrope: Transcending the Habits of Your Mind &amp; Awakening to Your Fullest Life. 2018. Well Bridge Book. Greater Good Science Center at the University of California, Berkley. January. 2019. Dispon\u00edvel em: &lt;https:\/\/greatergood.berkeley.edu\/article\/item\/ what_happens_when_you_embraem_dark_emotions&gt;. Tradu\u00e7\u00e3o nossa.<\/em><\/h5>\n<p style=\"text-align: left;\">\n<p style=\"text-align: left;\">\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A Psic\u00f3loga Beth Kurland, autora do livro Dancing on the Tightrope: Transcending the Habits of Your Mind &amp; Awakening to Your Fullest Life*(sem tradu\u00e7\u00e3o para o<span class=\"excerpt-hellip\"> [\u2026]<\/span><\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":2131,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":[],"categories":[21,20,17,25],"tags":[],"jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_featured_media_url":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/wp-content\/uploads\/2019\/02\/AdobeStock_322020022-scaled.jpeg","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/901"}],"collection":[{"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/users\/3"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcomments&post=901"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/901\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2132,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/posts\/901\/revisions\/2132"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=\/wp\/v2\/media\/2131"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fmedia&parent=901"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Fcategories&post=901"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/index.php?rest_route=%2Fwp%2Fv2%2Ftags&post=901"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}