{"id":642,"date":"2018-06-19T14:00:52","date_gmt":"2018-06-19T17:00:52","guid":{"rendered":"https:\/\/espacocamila.wordpress.com\/?p=642"},"modified":"2020-12-29T15:52:27","modified_gmt":"2020-12-29T18:52:27","slug":"quando-os-filhos-comecam-a-mentir","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/?p=642","title":{"rendered":"Quando os filhos come\u00e7am a mentir?"},"content":{"rendered":"<p>A mentira \u00e9 apresentada pela crian\u00e7a em diferentes forma, como no beb\u00ea que tem o choro, um \u201cunh\u00e9\u201d e assim precede a cada idade. No entanto, sabemos quais seriam os motivos das crian\u00e7as mentirem? Ser\u00e1 nossa educa\u00e7\u00e3o? Ser\u00e1 m\u00e1 conduta delas?<\/p>\n<p>A mentira nasce como meio de intera\u00e7\u00e3o com a sociedade e compreens\u00e3o sobre os limites. As crian\u00e7as sabem que est\u00e3o fazendo algo inadequado ao verbalizar uma mentira, mas ao mesmo tempo, precisam usar deste recurso para aprenderem conceitos morais, sociais e as regras que limitam sua intera\u00e7\u00e3o e percep\u00e7\u00e3o sobre o outro. Cada fase da crian\u00e7a h\u00e1 diferente modo de express\u00e3o desta mentira e s\u00e3o necess\u00e1rias medidas adequadas para ensinar a crian\u00e7a a lidar com essa consequ\u00eancia.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\">E quando come\u00e7am de fato a mentir?<\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">Antes de nascer, o filho j\u00e1 come\u00e7a a mandar mensagens qu\u00edmicas para enganar o corpo da m\u00e3e. Mas \u00e9 a partir dos 2 anos que ele passa a enganar com palavras &#8211; e n\u00e3o para mais.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Por fora, a gravidez \u00e9 uma beleza. Por dentro, \u00e9 uma guerra amb\u00edgua entre dois corpos. Ao mesmo tempo que disputam os mesmos nutrientes, um precisa do outro. Afinal, sem o corpo da m\u00e3e, o feto n\u00e3o nasce e, sem o feto, a m\u00e3e n\u00e3o leva adiante seus genes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas h\u00e1 um momento em que essa luta se acirra: depois do 6\u00ba m\u00eas de gravidez. Nesse est\u00e1gio, o feto j\u00e1 tem mais de 1 quilo e ocupa tanto espa\u00e7o que a m\u00e3e sente dificuldade para respirar, fortes dores nas costas, azia, incha\u00e7o nas pernas, incontin\u00eancia urin\u00e1ria. Se fosse um parasita qualquer, o corpo da m\u00e3e se livraria dele. Como, ent\u00e3o, garante mais 3 meses no \u00fatero? Enganando sua m\u00e3e.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nesse momento, claro, o beb\u00ea n\u00e3o pode usar palavras para atingir seus objetivos. Mas parte sem problemas para a linguagem qu\u00edmica dos horm\u00f4nios, explica Robert Trivers, pai da sociobiologia moderna e professor de antropologia e ci\u00eancias biol\u00f3gicas da Universidade Rutgers, EUA. \u201cNo \u00faltimo trimestre, h\u00e1 uma mudan\u00e7a chocante do controle das principais vari\u00e1veis do sangue da m\u00e3e \u2013 batimento card\u00edaco, n\u00edvel de glicose no sangue e distribui\u00e7\u00e3o do sangue pelo corpo\u201d, explica Trivers no livro <em>The Folly of Fools<\/em>(\u201cA Tolice dos Tolos\u201d, sem edi\u00e7\u00e3o brasileira.) \u201cNormalmente essas vari\u00e1veis est\u00e3o sob o controle dos horm\u00f4nios maternos, produzidos em n\u00edveis muito baixos. Mas no 3\u00ba trimestre o controle passa para o feto, que produz subst\u00e2ncias iguais ou muito parecidas, em concentra\u00e7\u00f5es centenas ou milhares de vezes mais altas.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Qual a fun\u00e7\u00e3o dos horm\u00f4nios? Realizar a comunica\u00e7\u00e3o entre diferentes partes de um indiv\u00edduo. S\u00e3o mensageiros. Gl\u00e2ndulas de uma mulher produzem horm\u00f4nios que v\u00e3o levar a altera\u00e7\u00f5es dentro de seu pr\u00f3prio corpo, de acordo com os interesses de sobreviv\u00eancia desse corpo. J\u00e1 o feto \u00e9 outro indiv\u00edduo, ainda que n\u00e3o seja independente. Embora seus interesses n\u00e3o sejam opostos aos da m\u00e3e (afinal, ele precisa dela para sobreviver), tampouco s\u00e3o id\u00eanticos. \u00c9 exatamente para mudar o comportamento do corpo da m\u00e3e de acordo com seus pr\u00f3prios interesses que, por meio da placenta, o feto joga na corrente sangu\u00ednea materna esses horm\u00f4nios. O corpo da m\u00e3e, por sua vez, reconhecer\u00e1 esses horm\u00f4nios como se fossem seus. \u00c9 assim que o filho inicia sua primeira campanha para enganar a m\u00e3e em benef\u00edcio pr\u00f3prio.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Unh\u00e9! <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Embora o feto engane o corpo da m\u00e3e, ele n\u00e3o tem consci\u00eancia disso \u2013 seu corpo simplesmente evoluiu assim, claro. E mais. Quando ele nasce, n\u00e3o \u00e9 mais capaz de usar a manipula\u00e7\u00e3o qu\u00edmica. Mas demorar\u00e1 pouco para que ele encontre outra estrat\u00e9gia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Normalmente o beb\u00ea chora quando sente cansa\u00e7o, fome, desconforto, dor ou solid\u00e3o. J\u00e1 aos 6 meses, quando mal ter\u00e1 soltado os primeiros \u201cmam\u00e1\u201d e \u201cpap\u00e1\u201d, ele aprende que pode usar o choro para chamar a aten\u00e7\u00e3o. E vai fazer isso sem parcim\u00f4nia. Para o al\u00edvio dos pais, d\u00e1 para saber se o choro \u00e9 de mentira. Diferentemente de quando \u00e9 para valer, o falso choro \u00e9 intercalado por pausas as quais o beb\u00ea verifica se a estrat\u00e9gia funcionou.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas o falso choro \u00e9 mentira pequena em compara\u00e7\u00e3o ao que acontece entre o segundo e o terceiro ano, quando a crian\u00e7a j\u00e1 sabe falar suas primeiras frases completas. Nesse momento, seu vocabul\u00e1rio ter\u00e1 aproximadamente 300 palavras \u2013 o suficiente para contar uma mentira para fugir de puni\u00e7\u00f5es. Ainda que n\u00e3o consiga enganar ningu\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>\u201cEu n\u00e3o mexi\u201d <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Uma das maiores especialistas sobre a capacidade de crian\u00e7as para mentir \u00e9 a doutora Victoria Talwar, da Universidade McGill, em Montreal. Seu laborat\u00f3rio n\u00e3o \u00e9 um laborat\u00f3rio comum. Situado num casar\u00e3o neog\u00f3tico de frente \u00e0 universidade, ele mais parece uma brinquedoteca. Mas os experimentos feitos l\u00e1 n\u00e3o t\u00eam nada a ver com divers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Talwar n\u00e3o questiona se crian\u00e7as mentem \u2013 afinal, todas t\u00eam capacidade de mentir, ao n\u00e3o ser que tenham algum d\u00e9ficit de desenvolvimento. O que ela quer \u00e9 identificar quando os pequenos come\u00e7am a mentir, como o fazem, quanto sucesso t\u00eam em dobrar os adultos e o que tudo isso tem a ver com os valores morais que elas aprendem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para descobrir isso, Talwar usa os brinquedos como armadilha. Vejamos como funciona o m\u00e9todo mais cl\u00e1ssico para avaliar as lorotas de crian\u00e7as. Um adulto diz a elas que dentro de uma caixa h\u00e1 um brinquedo. Ent\u00e3o, ele diz que precisa sair e pede para n\u00e3o mexer nele enquanto estiver sozinha. Como \u00e9 naturalmente curiosa, dificilmente a crian\u00e7a consegue resistir \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o \u2013 90% delas acabam bisbilhotando o que h\u00e1 na caixa. Quando o adulto volta, pergunta se ela o obedeceu. Ent\u00e3o, a crian\u00e7a tem uma escolha: mentir ou contar a verdade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Nos v\u00e1rios estudos de Talwar e de outros pesquisadores que usaram esse teste, descobriu-se que as crian\u00e7as come\u00e7am a mentir por volta dos 2 anos, quando 20% delas mentem no teste. Aos 3 anos, s\u00e3o 40%. Aos 4, 80%. Mais tarde, s\u00e3o todas. Outros estudos observando crian\u00e7as em casa descobriram que as de 4 anos mentiam uma vez a cada duas horas. E as de 6 anos, uma a cada hora \u2013 em geral para esconder alguma coisa que n\u00e3o deveriam ter feito.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Tudo isso significa que crian\u00e7as s\u00e3o terr\u00edveis seres amorais? N\u00e3o. Elas aprendem, sim, que mentir \u201c\u00e9 feio\u201d. S\u00f3 que isso muda conforme a idade. Quanto mais novas forem, mais elas dividem o mundo entre bem e mal e acham que qualquer tipo de mentira \u00e9 m\u00e1. Aos 5 anos, segundo Talwar, 92% das crian\u00e7as acham que toda mentira \u00e9 m\u00e1, por mais que elas pr\u00f3prias mintam. S\u00f3 que elas n\u00e3o conseguem nem sequer definir direito o que \u00e9 uma mentira. Para 38% das crian\u00e7as de 5 anos, xingar \u00e9 mentir. Se voc\u00ea perguntar por que mentir \u00e9 ruim, metade dir\u00e1 que \u00e9 ruim porque quem mente \u00e9 castigado. Ou seja, crian\u00e7as de 5 anos mentem e acham isso feio, mas ainda n\u00e3o sabem definir o que \u00e9 mentira e a julgam de acordo com as consequ\u00eancias.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Mas isso vai mudando conforme elas crescem, at\u00e9 saberem o que s\u00e3o mentirinhas de nada e mentiras para valer. Isso porque passam a entender as implica\u00e7\u00f5es al\u00e9m do castigo. Segundo Talwar, aos 11 anos, 48% delas dizem que o problema da mentira \u00e9 que ela destr\u00f3i a confian\u00e7a, 22% que ela nos faz sentir culpa e s\u00f3 os 30% restantes citam o castigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Aprimorando a arte <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">N\u00e3o basta mentir. \u00c9 necess\u00e1rio convencer. E, nesse ponto, crian\u00e7as s\u00f3 come\u00e7am a melhorar sua habilidade dos 7 em diante, quando, diante de perguntas de adultos, s\u00e3o capazes de sustentar a lorota sem cair em contradi\u00e7\u00e3o, planejando uma estrat\u00e9gia que conven\u00e7a o enganado. Essa sofistica\u00e7\u00e3o de suas mentiras evolui sem parar at\u00e9 se tornarem adolescentes, t\u00e3o dissimulados quanto um adulto.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para ver o qu\u00e3o eficientes crian\u00e7as s\u00e3o em sustentar suas mentiras, Talwar fez mais um estudo. Nele, seus pesquisadores perguntaram a um grupo de 172 crian\u00e7as de 6 a 11 anos uma s\u00e9rie de quest\u00f5es impressas em cartas de m\u00faltipla escolhas. Em troca de respostas, elas recebiam pr\u00eamios. Logo antes da \u00faltima pergunta \u2013 \u201cQuem descobriu a Tun\u00edsia?\u201d -, os pesquisadores disseram que precisavam sair momentaneamente e pediram para que as crian\u00e7as n\u00e3o lessem a resposta, que estava escrita em vermelho no verso da carta: \u201cProdidius Aikman\u201d, ao lado de uma imagem de le\u00e3o. Como o nome foi inventado aleatoreamente, jamais uma crian\u00e7a poderia dar essa resposta se n\u00e3o tivesse colado. E metade das crian\u00e7as olhou para o verso da carta.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando os pesquisadores perguntaram se tinham lido a resposta, 93% das crian\u00e7as que colaram disseram que n\u00e3o violaram a regra \u2013 mas depois deram como resposta o tal \u201cProdidius Aikman\u201d. Quando os pesquisadores perguntaram como sabiam aquilo, crian\u00e7as entre 6 e 7 anos em geral titubearam e depois disseram um frustrante \u201ceu n\u00e3o sei\u201d. Mas grande parte daquelas de 9 a 11 anos inventou respostas plaus\u00edveis \u2013 \u201cAprendi na escola\u201d, \u201cVi na televis\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Para ver se n\u00e3o se embananariam, vieram em seguida outras perguntas: \u201cQual animal est\u00e1 no verso desta carta?\u201d e \u201cDe que cor est\u00e1 escrito o verso dela?\u201d. Crian\u00e7as mais novas cairam na armadilha, mas os velhos tiveram a habilidade de fazer de conta que n\u00e3o sabiam. E o que isso mostra?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Talwar e o psic\u00f3logo Kang Lee, da Universidade de Toronto, desconfiaram de que na melhoria do talento para mentir houvesse uma nova rela\u00e7\u00e3o: aquela entre a capacidade de sustentar a mentira e as fun\u00e7\u00f5es executivas da mente. Ou seja, habilidades como planejamento, mem\u00f3ria de curto prazo, controle inibit\u00f3rio e estrat\u00e9gia. A dupla ent\u00e3o comparou resultados do teste do brinquedo, feito agora com crian\u00e7as de 3 a 8 anos, com testes que medem essas fun\u00e7\u00f5es executivas. As crian\u00e7as que conseguiam mentir melhor foram melhor tamb\u00e9m nesses testes. A conclus\u00e3o foi de que a mentira na inf\u00e2ncia n\u00e3o era uma falha moral, mas sinal de que a crian\u00e7a atingiu um novo patamar cognitivo. Mentir bem n\u00e3o \u00e9 nada mais que saber pensar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Evolu\u00e7\u00e3o dos mentirosos <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Saiba como a capacidade de enganar se aprimora ao longo da inf\u00e2ncia<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>2 ANOS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Aos 2 anos, a crian\u00e7a j\u00e1 imita os outros \u2013 principalmente os mais velhos. Tamb\u00e9m \u00e9 capaz de obedecer instru\u00e7\u00f5es simples, como \u201cpegue o sapato e guarde no arm\u00e1rio\u201d. Entende cerca de 200 palavras, fala umas 50 e j\u00e1 consegue construir frases com 2 ou 3 delas. Mas nem tudo \u00e9 beleza. Afinal, ela aprendeu o que significa \u201cmeu\u201d, mas n\u00e3o \u201cseu\u201d. De repente, a belezinha de beb\u00ea passa a gritar, chutar, morder, brigar, desafiar quem manda nele. E, quando faz alguma coisa que n\u00e3o deveria, j\u00e1 \u00e9 capaz de contar uma mentira. Em testes para avaliar a honestidade, 20% delas mentem.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>4 ANOS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A crian\u00e7a j\u00e1 sabe de 2 500 a 3 mil palavras, entende algumas figuras de linguagem, constr\u00f3i per\u00edodos compostos e conta hist\u00f3rias. Com isso, suas brincadeiras de faz de conta tamb\u00e9m se tornam mais complexas \u2013 e as mentiras, abundantes. Nessa idade, 80% das crian\u00e7as mentem com facilidade em testes. Isso, por\u00e9m, n\u00e3o significa que ela seja boa no engano. Para contar uma mentira bem-sucedida, \u00e9 necess\u00e1rio manter a hist\u00f3ria coerente do in\u00edcio ao fim. E a\u00ed est\u00e1 seu ponto fraco. Basta fazer-lhe algumas perguntas para a crian\u00e7a cair em contradi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>7 ANOS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Chega a idade escolar \u2013 e, com ela, um novo passo para a mentira: agora, a crian\u00e7a consegue manter sua hist\u00f3ria sem se contradizer. Isso revela uma nova capacidade important\u00edssima da mente da crian\u00e7a. Ao mesmo tempo que planeja e memoriza uma vers\u00e3o mentirosa, consegue manter-se atenta e inibir pensamentos que sejam contr\u00e1rios a essa vers\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>13 ANOS <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Ao entrar para a adolesc\u00eancia, o filho se torna capaz de mentir com palavras e com o corpo, feito um adulto. At\u00e9 ent\u00e3o, conseguia criar um discurso coerente, mas seu olhar facilmente a entregava. Num estudo com crian\u00e7as de 7 a 15 anos, as de at\u00e9 9 anos mantiveram menos tempo o contato visual quando mentiram. Em vez disso, olhavam para cima, numa express\u00e3o de pensamento. J\u00e1 as mais velhas sabiam que manter \u201colho no olho\u201d era sinal de sinceridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Quando come\u00e7am a detectar mentiras?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A partir dos 4 anos, crian\u00e7as come\u00e7am a identificar mentirosos pelo olhar<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Durante a d\u00e9cada de 80, estudos mostraram que at\u00e9 o in\u00edcio da adolesc\u00eancia crian\u00e7as t\u00eam dificuldade para processar e usar as pistas n\u00e3o verbais que normalmente revelam quando algu\u00e9m diz a verdade ou n\u00e3o. \u201cMas esses estudos se focaram basicamente em pistas sutis ou intencionalmente mascaradas, como fingir um sorriso quando faz de conta de que gostou de uma bebida\u201d, afirma o psic\u00f3logo Kang Lee, da Universidade de Toronto. Mas o que dizer de pistas menos sutis? A partir de que idade a crian\u00e7a consegue perceber que o que uma pessoa diz n\u00e3o combina com o que seus olhos dizem? Para descobrir isso, Lee fez 3 experimentos, mostrando a 97 crian\u00e7as de 3 a 5 anos um v\u00eddeo em que uma atriz escondia um brinquedo em uma de 3 x\u00edcaras. Nos primeiros dois experimentos, a atriz dizia \u201ceu n\u00e3o sei onde est\u00e1 o brinquedo\u201d, mas olhava para uma das x\u00edcaras \u2013 no primeiro, s\u00f3 com os olhos; no segundo, com um movimento de cabe\u00e7a. No terceiro experimento, a atriz dizia que o brinquedo estava em uma x\u00edcara, mas olhava para outra. Enquanto as crian\u00e7as de 3 anos n\u00e3o conseguiram usar a pista do olhar da atriz para descobrir onde o brinquedo estava, as de 4 a 5 anos conseguiam. Isso mostrou a idade em que crian\u00e7as se tornam capazes de comparar linguagem corporal e linguagem verbal \u2013 estrat\u00e9gia b\u00e1sica para desvendar mentiras.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Artigo original\u00a0<strong>Maur\u00edcio Horta\u00a0<\/strong>31 out 2016 &#8211; Publicado em 8 mar 2013<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Site: Revista Super Interessante<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">https:\/\/super.abril.com.br\/comportamento\/quando-os-filhos-comecam-a-mentir\/<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A mentira \u00e9 apresentada pela crian\u00e7a em diferentes forma, como no beb\u00ea que tem o choro, um \u201cunh\u00e9\u201d e assim precede a cada idade. 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