{"id":2384,"date":"2021-07-01T14:00:00","date_gmt":"2021-07-01T17:00:00","guid":{"rendered":"http:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/?p=2384"},"modified":"2021-06-27T09:44:05","modified_gmt":"2021-06-27T12:44:05","slug":"amor-romantico","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/espacocamilaferreira.com.br\/?p=2384","title":{"rendered":"Amor Rom\u00e2ntico"},"content":{"rendered":"\n<p>Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa muito curiosa e eu estou sempre estudando algum assunto que me provoca. Quando pensei no meu artigo, surgiram d\u00favidas sobre qual tema seria interessante, vieram muitas sugest\u00f5es sobre temas que as pessoas gostariam que eu abordasse, mas no fim eu decidi escrever sobre o amor.<\/p>\n\n\n\n<p>Fui inspirada por Regina Navarro Lins &#8211; psicanalista, ex-professora da PUC-RJ, palestrante, escritora e colunista, autora do livro \u201cNovas formas de amar\u201d, Ed. Planeta, 2017 &#8211; que dedicou seu tempo aos estudos da hist\u00f3ria do amor e do sexo ao longo dos \u00faltimos 5 mil anos.<\/p>\n\n\n\n<p>Lins (R. N., 2017) defende a ideia de que o que chamamos de amor n\u00e3o existiu desde sempre, mas \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o social, que varia de forma, de significado e de valor. Critica a ideia do amor rom\u00e2ntico, cujas principais caracter\u00edsticas s\u00e3o: a idealiza\u00e7\u00e3o da pessoa amada e a proje\u00e7\u00e3o nela de tudo que gostaria que ela fosse. Atribui \u00e0 pessoa caracter\u00edsticas de personalidade que na verdade n\u00e3o possui, n\u00e3o se relacionando com a pessoa real, mas sim a inventada de acordo com as pr\u00f3prias necessidades. Esse tipo de amor n\u00e3o resiste \u00e0 conviv\u00eancia di\u00e1ria do casamento, porque a excessiva intimidade leva \u00e0 obrigatoriedade de enxergar o parceiro como ele \u00e9, n\u00e3o dando espa\u00e7o para a sustenta\u00e7\u00e3o da idealiza\u00e7\u00e3o. <em>\u201cO desencanto \u00e9 inevit\u00e1vel, trazendo, al\u00e9m de t\u00e9dio, sofrimento e a sensa\u00e7\u00e3o de ter sido enganado. Quando percebemos que o outro \u00e9 um ser humano, e n\u00e3o a personifica\u00e7\u00e3o das nossas fantasias, n\u00f3s nos ressentimos e geralmente o culpamos\u201d (p.24).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Desde a inven\u00e7\u00e3o do cristianismo, o amor s\u00f3 podia ser dirigido \u00e0 Deus. O que existia era o desejo sexual e a busca de sua satisfa\u00e7\u00e3o. Por volta do s\u00e9culo XII surge o amor cort\u00eas, a primeira manifesta\u00e7\u00e3o do amor como hoje o conhecemos. S\u00f3 a partir do s\u00e9culo XIX esse ideal amoroso passou a ser uma possibilidade no casamento, que at\u00e9 ent\u00e3o s\u00f3 se davam por interesses econ\u00f4micos e pol\u00edticos. E a partir de 1940 apareceu como fen\u00f4meno de massa, incentivado pelos filmes hollywoodianos.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para a autora n\u00e3o existe nada de grave em desejar um par amoroso, a quest\u00e3o \u00e9 acreditar que s\u00f3 se pode ser feliz se houver esse par amoroso.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A fus\u00e3o proposta pelo amor rom\u00e2ntico \u00e9 extremamente sedutora. Nos contos de fadas, por exemplo, os her\u00f3is e hero\u00ednas precisam superar in\u00fameros obst\u00e1culos para conseguir ficar juntos no final e como garantia de que continuar\u00e3o apaixonados eternamente, findam com o cl\u00e1ssico \u201ce viveram felizes para sempre\u201d. At\u00e9 o s\u00e9culo XIX, o amor rom\u00e2ntico arrebatava os cora\u00e7\u00f5es, mas n\u00e3o podia se misturar com a rela\u00e7\u00e3o fixa e duradoura. As hist\u00f3rias de Trist\u00e3o e Isolda, Romeu e Julieta, ilustram como esse amor \u00e9 regido pela impossibilidade; quanto mais obst\u00e1culos a serem transpostos, mais apaixonada a pessoa se torna.<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cImaginar que numa rela\u00e7\u00e3o amorosa vamos nos completar, que nada mais vai nos faltar, \u00e9 o caminho mais r\u00e1pido para a decep\u00e7\u00e3o\u201d (Lins, 2017, p. 29).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Com a conviv\u00eancia do dia a dia vamos percebendo no outro aspectos que nos desagradam, fica dif\u00edcil manter a idealiza\u00e7\u00e3o e a partir da\u00ed, para manter a rela\u00e7\u00e3o, in\u00fameras concess\u00f5es s\u00e3o feitas. A rela\u00e7\u00e3o vai ser tornando sufocante com a quantidade de frustra\u00e7\u00f5es que se acumulam e cresce a aspira\u00e7\u00e3o pela liberdade.<\/p>\n\n\n\n<p>Lins (R. N., 2017) argumenta que esse tipo de rela\u00e7\u00e3o est\u00e1 com os dias contados, embora muitos discordem.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>\u201cAcreditam que sem uma rela\u00e7\u00e3o amorosa tipo rom\u00e2ntica \u2013 fixa, exclusiva e duradoura \u2013 n\u00e3o se pode ter uma vida satisfat\u00f3ria. Esse modelo imposto de felicidade, al\u00e9m de n\u00e3o corresponder \u00e0 vida real, gera sofrimento por induzir as pessoas \u00e0 busca incessante pelo parceiro idealizado.&nbsp;<\/em><\/p>\n\n\n\n<p><em>Ocorre que estamos no meio de um processo de profunda mudan\u00e7a de mentalidade. A busca pela individualidade caracteriza a \u00e9poca em que vivemos. A grande viagem do ser humano \u00e9 para dentro de si mesmo. Cada um quer saber quais suas possibilidades na vida, desenvolver seu potencial. O amor rom\u00e2ntico prop\u00f5es o oposto disso; prega que os dois se transformem num s\u00f3, havendo complementa\u00e7\u00e3o total entre eles\u201d (p. 31).<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Muitos devem achar todas essas ideias radicais, mas basta olhar para tr\u00e1s: na d\u00e9cada de 50 e 60 era condi\u00e7\u00e3o para o casamento que a mo\u00e7a fosse virgem. A separa\u00e7\u00e3o de um casal era uma grande trag\u00e9dia. Poucas d\u00e9cadas depois, tudo isso \u00e9 encarado como pr\u00e1tica habitual. A mentalidade das pessoas est\u00e1 mudando. Isso fica claro nos novos desenhos animados em que as personagens femininas s\u00e3o fortes e independentes, n\u00e3o buscam um homem para viver um romance e dar significado \u00e0 sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Minha proposta com esse artigo n\u00e3o \u00e9 outra sen\u00e3o refletir sobre as expectativas que colocamos sobre as rela\u00e7\u00f5es. Como terapeuta, meu trabalho \u00e9 criar um espa\u00e7o seguro em que a diversidade de experi\u00eancias possa ser explorada com compaix\u00e3o. N\u00e3o pretendo defender e nem me posicionar contra o amor rom\u00e2ntico. Ficar nos termos mais simplistas do julgamento n\u00e3o tem serventia alguma. Escolher uma rela\u00e7\u00e3o monog\u00e2mica e viver toda a vida ao lado de algu\u00e9m pode ser uma experi\u00eancia incr\u00edvel, se soubermos respeitar o espa\u00e7o e a individualidade do outro.&nbsp; Fazer outras escolhas, de ter m\u00faltiplas rela\u00e7\u00f5es, tamb\u00e9m pode trazer momentos de felicidade. O mais importante \u00e9 ter paz nas escolhas que forem feitas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><em>LINS, R.N. Novas formas de amar. S\u00e3o Paulo: Planeta, 2017.<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Quem me conhece sabe que eu sou uma pessoa muito curiosa e eu estou sempre estudando algum assunto que me provoca. 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